Ali parado no meio da escuridão de um salão, aguardava um telefonema. As coisas não estavam a correr de acordo com o planeado e necessitava de ordens para poder agir em concordância. Já ali estava sentado há mais de vinte minutos envolto em total silêncio quando uma porta se abriu e se ouviram passos, lentos e suaves, de alguém a entrar. Não se via absolutamente nada e só sabia de onde esperar a aproximação, devido ao som. Manteve-se imóvel enquanto sentiu a presença passar-lhe ao lado e sentar-se algures frente a si. O silêncio ainda se manteve durante alguns segundos, até que a presença se manifestou.
"Ouve bem o que te vou dizer. A pessoa que está prestes a ligar-te é o meu filho, mas todas as ordens que recebes são dadas por mim. As que tu recebes, as que ele recebe, as que todos recebem. Aqui quem manda e lucra mais com o que fazemos sou eu, logo, julgo eu, não será necessário dizer-te que também sou a parte mais prejudicada quando as coisas não correm de acordo com o esperado. Isto vem de encontro às notícias que recebi e cujas não me agradaram nem um pouco. Foi para que pudesse falar contigo que o meu filho te enviou aqui para aguardares pelo seu telefonema. Queres passar a explicar o sucedido, caro Janus?".
Vacilou por momentos devido a duas situações completamente distintas. A voz de quem estava na sua frente estava completamente distorcida e era impossível perceber quem seria, e o cheiro que se sentia, extremamente adocicado, deixava-o agoniado.
"O Vas foi morto por aquele desgraçado do Vincent. Aquele mer...so do Cristy deu com a língua nos dentes a mais gente do que pensávamos. Pus homens à procura do Vince, mas não o encontram em lado nenhum, no entanto, avistaram ao longe, perto da entrada das antigas docas, o amigo do Jack, o tal Kyle. Isso só pode querer dizer que eles andam por perto e provavelmente à procura do mesmo gajo que nós, visto que o Jack anda a tentar caçá-lo ao tempo para vingar a família. Tenho os meus homens prontos a invadir as docas. É só dar a ordem e não terão como escapar." - a sua voz soava confiante.
"O teu telefone vai tocar. Atende.".
Foi simplesmente graças à escuridão, que a sua expressão de espanto quando o telemóvel tocou no segundo seguinte, passou despercebida.
"Estou Brian, diz-me." - ouvia com atenção o que lhe era dito do outro lado da linha - "Sim claro, estão todos prontos." - dizia convicto - "Tinha pensado de outra forma mas...ok, ok, não dou ordem nenhuma até tu chegares. Encontramo-nos lá. Não demoro a chegar.". - dito isto desligou o telefone e levantou-se.
"Já sabes o que fazer, portanto põe-te a andar. AH, e desta vez não falhes. Ia ficar imensamente perturbado se te tivesse de mandar fazer companhia ao Vas.".
Sem comentários:
Enviar um comentário