segunda-feira, 30 de abril de 2012

Espíritos


Um arrepio na espinha. A suspeita de que algo te observa. Será mesmo isso? Suspeita? Talvez paranóia? Não…
Existem aqueles que nos observam em todo e qualquer momento. Alguns amigos, mas outros, sedentos de hostilidade. No entanto, todos eles são almas perdidas.
Eles procuram aqueles que os possam ajudar, tentando talvez, por vezes, arrastar-te com eles para onde quer que seja o seu antro.
Sejam bons ou maus, todos eles perseguem…permanentemente, até obterem o que desejam. Não mostres medo, pois a maioria não possui o poder ou vontade de magoar, no entanto, cuidado, pois muitos também são almas torturadas.
Alguns pensam ser anjos ou símbolos divinos…talvez demónios ou criaturas, simplesmente enviadas para a propagação do mal e da desgraça. Respeitando toda e qualquer origem, pensa que são como tu, como eu, como todos nós…almas perdidas que tentam por todos os meios agarrar-se ao que chamamos de vida. 

A chuva


A chuva cai com intensidade na janela do meu carro adormecendo-me, pulsando no meu coração, gotejando na minha alma.
Trespassa-me e inunda-me a mente, tornando o meu coração um pouco mais frio.
O trovejar intensifica-se. Os relâmpagos transformam a noite em dia por momentos. Ambos cegam a minha fria e agastada mente.
 Finjo. Escondo-me. Esconjuro e minto. Não vejo e tu não olhas. Que aconteceu? O que foi que nos separou? “Nós”, era a palavra…agora deixou de existir. Silenciou-se. Zero.
A chuva na janela do meu carro adormece-me, suavemente atenuando a dor em mim, silenciosamente tratando feridas ainda em estado selvagem. Lavando as minhas lágrimas para que, nada nem ninguém, veja o sangue.
Uma lágrima corre, pela face, pelo canto da boca, misturando-se com o silêncio desta. Continua até ao precipício onde, somente aquela gota cai e se divide em salpicos silenciosos.