Após suturar o
ferimento do irmão, ambos se dirigiram para o exterior, juntando-se a Bruno,
que os olhou com um ar ainda meio enjoado.
“Já está a costura feita?” – inquiriu, já sabendo a resposta.
“Tudo tratado maricas. – Bruno fungou em réplica ao adjectivo
colocado à sua pessoa por Pedro, que continuou o seu discurso – “Agora temos de nos apressar em nos
juntarmos aos outros. O sinal do rastreador indica que eles já se encontram a
uma distância considerável, não esquecendo que aqui parados somos alvos fáceis.
Apressemo-nos em direcção ao bosque. Sentidos alerta em todas as direcções”
– finalizada a sentença, começou a caminhar a passo acelerado, seguido pelos
restantes e sem qualquer comentário adicional.
Rapidamente e sem percalços,
atingiram a orla do denso bosque. A luz da lua cheia batalhava ingloriamente
por penetrar a escuridão implacável daquele cenário. As árvores impunham-se
acima das suas cabeças com copas majestosas e a densidade arbórea ao nível do
solo, em conjunto com uma ou outra formação rochosa, dificultavam tanto a
caminhada, como a visibilidade em certas áreas onde arbustos se erguiam ao
nível das cabeças. Cobrindo a retaguarda uns dos outros, iam percorrendo o
caminho escabroso, aliviados por vezes por escassos e breves trilhos com que se
deparavam. Os ruídos eram constantes, não provenientes da Natureza, nem de algo
que reconhecessem como fazendo parte deste mundo, mas já deviam fazer algumas
horas desde que essa barreira entre fictício e real se tornara pouco mais que
um borrão nas suas mentes. No entanto, à excepção de um ou outro susto menor, deparam-se
com uma clareira, a primeira até então, livres de qualquer perigo. Bem no meio
desta, encontrava-se um pequeno helicóptero, inutilizado devido aos extensos
danos a nível dos seus comandos internos.
“É provavelmente o que o Filipe pilotou até aqui com os outros,
mas…hummm…a não ser que tenhamos por aí algumas criaturas muito inteligentes,
eu diria que os danos foram causados propositadamente por humanos. –
Ricardo apontou as zonas danificadas - Estão nos sítios certos e a quantidade é a
correcta para inutilizar o aparelho, nem a mais, nem a menos, um trabalho
extremamente minucioso.” – saiu de dentro do aparelho, voltou a retirar as
Uzis dos coldres e olhou os companheiros que acenavam a cabeça em concordância.
“Tu é que és o perito nessas coisas.” – mencionou Bruno.
“Ricardo, ele parece hesitante! Vamos
aproveitar para o confundir. Vamos todos correr em direcções diferentes mas
perto o suficiente de forma a mantermos o contacto visual. Não esquecer que a
orientação é para Norte. Sempre Norte.” –
um ligeiro sibilo e Bruno olhou naquela direcção, recebendo as instruções
gestualmente e assentindo com um erguer do polegar.
“Agora”.
Todos começaram a correr de forma errática, ziguezagueando, pulando por cima de
obstáculos e trocando olhares de tempo a tempo para não se perderem de vista,
mas o gigante avançava agora somente a passo, calma e descontraidamente, como
se estivesse seguro de que eles não escapavam. Nada os podia preparar para o
que iria acontecer em seguida.
