segunda-feira, 22 de outubro de 2012

The Way Of Fear: Cap. I - Straight to Nowhere

  "Como é pessoal? Parecem assustados! Que se passa? Hahaha!" - disse Pedro, sacando algumas risadas dos que o acompanhavam.
  "Tamos muito engraçados, tamos! Tava a ver que nunca mais chegavam. Devem andar a perder qualidades." - respondeu Rui num tom de voz que não era totalmente de brincadeira.
  "Nada disso mano. Cuidado ai com o coração!" - mais uma onda de riso, desta vez provocada por Ricardo.
  "Vá lá pessoal, vamos a atinar e..."
  "Cala-te...Cof...Cof..." - o penteadinho foi interrompido por mais uma brincadeira dos colegas.
  "Parece que vou ter de desatar ao estalo, senão vocês não se calam! - tentou disfarçar um sorriso - Bom, continuando, vamos lá abrir essa porta e encontrar um sítio para nos organizarmos com calma e vocês nos explicarem o que se passou e como vieram parar a tão longe do local da vossa missão, para não falar de que quero sem dúvida saber donde vêm estas coisas que acabámos de matar." 
  "Sim paizinho!" - gracejou novamente Pedro ao dirigir-se à porta, mas não sem antes ser atingido por uma palmada na nuca, o que no entanto, não impediu a vaga de riso, agora de todos os presentes.

"Bam", um tiro da curta caçadeira e uma porção da porta estilhaçou por completo possibilitando agora a passagem para o interior do edifício. Bruno assumiu a dianteira e guiava o grupo pelos corredores desertos e degradados, enquanto Ricardo guardava a retaguarda. As paredes resumiam-se a tons de cinzento, ora mais claros, ora mais escuros, conforme o tamanho dos inúmeros buracos que as preenchiam. Havia zonas em que até o tecto parecia estar a esfarelar ao ponto de poder ceder a qualquer momento. Era rara a porta que ainda se mantinha de pé e, como precaução, embora o silêncio fosse absoluto, certificavam-se sempre de que não havia nada nem ninguém nas divisórias por onde passavam. Não queriam ser surpreendidos. Escolheram uma divisória próxima da porta das traseiras, um ponto de fuga caso acontecesse algo, e pararam para relaxar um pouco e falar sobre a situação. O ambiente era tenso e assustador, com qualquer som a ecoar de tal forma que parecia fazer o triplo do ruído.

  "Vamos então ao que interessa. - disse Filipe determinado - Mandaram-nos aos três para o meio de um qualquer bosque para salvarmos um grupo de novatos que tinham sido descobertos durante a missão que lhes tinha sido delegada e feitos prisioneiros. Quando chegámos perto do edifício marcado, que mais parecia um hospício, pelo menos visto do exterior, reparámos no que parecia ser uma multidão a rondar a zona. Do nada, quase como se nos tivessem cheirado, voltaram-se na nossa direcção e começaram a atacar-nos. Nos procedimentos de defesa constatámos que a sua constituição era de carne putrefacta, se não na totalidade, estava muito próximo disso, e que somente os que eram atingidos na cabeça permaneciam no chão. Penso que mortos não será a forma ideal de me expressar pois, na minha terra aquelas coisas são zombies e mortos já estão, mas sempre pensei que não existissem tais criaturas. Vocês sabem afinal o que se passa aqui?"
 "Primeiro... - interrompeu Pedro na altura que Miguel ia começar a falar - ...convém que nos conheçamos todos, certo? Quem é a tua amiga Lipe?"
  "Eu sou a Ângela e estou aqui, logo não precisas de perguntar essas coisas a terceiros. Prazer..."
  "Gosto Filipe, gosto do estilo! - ela lançou-lhe um olhar fulminante - O prazer é meu Ângela. Eu sou o Pedro, este certinho é o Miguel, o batoco é o Bruno e aqui o adubado é o meu irmão Ricardo. - foram-lhe acenando com a cabeça pela ordem de apresentação, às quais ela retribuiu de forma bastante mais cordial do que a Pedro - Agora já podes falar."
  "Boa Pedro, sempre a criar boas primeiras impressões. - deu mais um dos muitos toques que dava para ajeitar o penteado e recomeçou - Nós também não fazemos ideia do que se passa ou de onde estas coisas vêm. Estamos aqui simplesmente porque recebemos o pedido de auxílio do meu irmão. Nem sequer sabíamos o que estavam aqui a fazer, nem o que íamos encontrar. Vocês sabem por acaso qual era a missão dos outros?"
  "Penso que eles estavam aqui para capturar informações sobre umas investigações obscuras de uns quaisquer doutores. Coisa fácil, num local quase sem segurança. Não sei muitos pormenores porque não nos foram dados, mas basicamente foi isto."
  "Se era coisa fácil e sem grande importância ao ponto de enviarem novatos, então porque não vos disseram ao que vinham? Não faz sentido! Porque se preocuparia o governo com algo que não fosse importante e lucrativo? Isto há aqui muita coisa por descobrir. Acho que devíamos voltar  ao tal hospício." - manifestou-se Ricardo.
  "Concordo." - retorquiu Bruno.
  "Todos concordam? - sinais afirmativos de todas as direcções - Boa, então, vamos a distribuir o equipamento que vos trouxemos e vocês, como já lá tiveram, lideram a matilha." - Miguel fez sinal para que se mexessem e desta vez o seu grupo ia atrás do de seu irmão.

Um barulho enorme ecoou através dos corredores e todos estacaram tentando descortinar a direcção do mesmo, o que se mostrava quase impossível. Parecia vir de um lado cujo era composto apenas por ferro e betão, mas isso não era minimamente lógico. Os seus ouvidos estavam a ser enganados pelo ribombar do som entre aquelas paredes. Começaram novamente a avançar, mas desta vez muito mais lentamente e alerta. A dada altura Bruno prendeu o ombro a Pedro com a sua mão e tocou com o cano da arma em Ricardo, fazendo-lhes sinal que aguardassem e dando um toque de cabeça na direcção da parede mesmo a seu lado. Ficaram um pouco para trás sem que os outros dessem por isso, enquanto Bruno colava o ouvido ao cimento. O baixinho deu um ligeiro assobio que captou a atenção do resto do grupo que parou em espera. Ele e o irmão aguardavam sobre tensão alguma reacção da parte do colega, cuja não demorou a chegar.

"Merda...afastem-se..." - gritou, afastando-se da parede e saltando para o lado, acompanhado pelos irmãos que reagiram prontamente.

Alguma coisa tinha irrompido pela parede, mas não era possível ver o quê. A poeira que pairava no ar bloqueava completamente a visão para além daquele ponto do corredor. Quando começou a assentar, eles não conseguiam acreditar no que viam. Para além de estarem separados do resto do grupo por um monte de destroços que bloqueava o caminho, uma figura gigantesca começava a dar os primeiros passos na sua direcção. Com aquela cabeça estranha em forma de pirâmide quase a raspar o tecto, a pele branca de morte, tapada por uma vestimenta que só talhantes ou carrascos usariam e umas mãos enormes com dedos gigantes donde se evidenciavam garras enorme que brilhavam como lâminas, era deveras imponente. Os passos da besta começaram a tornar-se mais rápidos à medida que eles recuavam e isso não agourava nada de bom. No meio da tensão, Bruno adiantou-se aos amigos e começou a disparar. Alguns tiros atingiram o corpo do bicho, o que não pareceu magoá-lo minimamente, mas a maioria ricochetearam na cabeça metálica, servindo isto apenas para o irritar e o fazer investir em corrida.

  "Isso não foi uma boa jogada! Corram..corram! - Pedro começou a correr, soltando um tiro de caçadeira para trás, sabendo de antemão que seria inútil.
  "Que merda é esta meu? Esta coisa é ao menos real? Porque é que não fiquei em casa, foda-se!" - dizia Ricardo, soltando também umas rajadas enquanto fugia.

A criatura gigante corria agora atrás deles, desfazendo paredes com as próprias mãos e por vezes, simplesmente com o impacto do corpo animalesco, enquanto a ponta mais alta da sua cabeça rasgava o tecto como se fosse papel. Eles aceleravam na sua frente, virando para um corredor atrás de outro, completamente ao acaso em busca de uma saída, visto não lhes ter sido possível enveredarem pelo caminho que conheciam. Procuravam uma porta para o exterior, uma janela, umas escadas para trocarem de piso. Qualquer coisa que lhes permitisse saírem da rota de colisão com o bulldozer que os perseguia impiedosamente, visto que tudo com que se depararam no percurso que pudesse ser uma saída, estava bloqueado com camadas e camadas de sólido betão, cujo não tinham tempo para destruir. O ruído provocado pela destruição que lhes mordia os calcanhares era cada vez maior e mais próximo, mais parecendo bombas, explodindo umas trás das outras.

  "Já fomos! Já fomos!" - Bruno desesperou em consonância com os amigos quando viu que tinham virado para um beco sem saída.
  "Não pode acabar assim! Todos..." - Pedro deu o mote e todos deram tudo o que tinham na tentativa de derrubar aquela camada de cimento que os impedia de continuar.

O perseguidor já assomara ao início do corredor e, quando uma mera dúzia de metros o separava deles, ainda a parede tinha somente uns meros arranhões.

No outro lado dos escombros os restantes membros do grupo não faziam ideia do que se passava. Começaram por ouvir uma barulheira incrível, que com o tempo foi diminuindo até desaparecer. Desde então, nem sinal dos companheiros e o silêncio era total.

  "Não podemos ficar aqui mais tempo. Temos que os ir procurar. Estarmos para aqui a gritar o nome deles sem resposta e sem saber o que se passou não adianta de nada." - disse ela, que no momento parecia a única a manter o raciocínio, talvez por ser a que tinha menos ligação com os desaparecidos.
  "Claro...claro! Tens toda a razão, mas daquilo que já vimos, acho que não há treino para este tipo de coisas. Acho que já nem sei se isto é real ou não...acho que já não sei como reagir." - Rui quebrou a apatia dos homens.

Não foi preciso, nem possível, mais conversa, pois a porta das traseiras colapsou de repente e os zombies começaram a invadir o corredor. Os ávidos canibais começaram a ser dizimados por um tsunami de chumbo que lhes explodia as cabeças, espalhando massa cinzenta por todo o lado. Eram tantos que tiveram de recarregar umas poucas de vezes as armas, mas chegaram a um ponto em que se encontravam totalmente coordenados e nunca havia mais do que um a necessitar recarregar. Momentos depois, com litros de sangue espalhado por todo o lado, misturado com entranhas em pinturas rupestres pelas paredes, a invasão terminou. Sem articularem palavra saíram para a rua e correram para contornar o edifício rapidamente até à porta onde tinham entrado inicialmente de forma a iniciarem as buscas pelos companheiros. Iam a meio do caminho quando uma espécie de buzina rouca se fez ouvir por todo o lado, mas nem sequer pestanejaram, continuando a correr. Preocupar-se-iam com isso mais tarde, se assim vissem ser necessário.

Encostaram-se os três à parede e só faltava olharem uns para os outros para se despedirem antes de abraçarem a morte quando o gigante parou a meio o golpe descendente das suas garras. Uma qualquer buzina fez-se ouvir e a criatura parou, virou-lhes as costas e abandonou calmamente o local. Deixaram-se cair de rabo no chão e ficaram a olhar uns para os outros completamente espantados pelo sucedido. Não faziam ideia do que se tinha passado e só podiam encolher os ombros, mas ninguém podia imaginar a felicidade que sentiam em que assim fosse. Não passaram mais de cinco segundos até desatarem os três a rir à gargalhada.
  

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

The Way Of Fear: Prólogo

  "Corram! Corram".
  Já haviam passado horas e horas em fuga, a munição aproximava-se perigosamente do fim, os poucos mantimentos que não tinham perdido na correria já se haviam esgotado e já só lhes sobrava meio cantil de água. Filipe com a sua Sniper não conseguia ser muito eficaz face à proximidade dos intermináveis mortos-vivos que surgiam de todos os lados. A luz da lua mal conseguia penetrar através das copas das inúmeras e volumosas árvores que compunham aquele bosque e isso também não ajudava em nada. Rui Pedro surgiu na sua frente e começou a despachar aos três de cada vez com a sua caçadeira de combate, enquanto Ângela cobria as laterais disparando alternadamente com as suas duas pistolas. Tinham de ser certeiros, pois só os tiros na cabeça os impediam de se erguer novamente.

  "Já vejo a cidade ao fundo! Temos de nos pirar daqui rápido e pedir ajuda porque o nosso tempo está mesmo a acabar!" - gritou Rui aos colegas.
  "Então antes que a minha menina cante...corram o mais depressa que puderem." - Filipe disse isto enquanto tirava a cavilha de uma granada e a lançava no meio da multidão macabra.

A explosão foi imponente, barulhenta e destrutiva. Enquanto corriam na direcção da luz das ruas, pedaços de braços, pernas e cabeças caíam a seu lado, projectados a longa distância pela intensidade do cantar da menina. Depararam-se com uma ribanceira e os homens seguiram de imediato a mulher que nem sequer hesitou em saltar e rebolar por ali abaixo.

Lá bem no alto, quatro indivíduos saltavam de um avião e apressavam-se a tomar uma posição de seta por forma a acelerarem a descida até ao solo. Encontravam-se completamente vestidos de preto, capacetes que cobriam completamente cabeça e face, possuindo todos uma viseira reflectora cor de laranja. Todos eles vinham extremamente bem armados. Um gesto de um deles quando já avistavam o chão bem perto e adquiriram uma formação que os colocava alinhados lado a lado, precisamente ao mesmo nível durante o voo. A cidade era cada vez maior no reflexo daquelas viseiras.

Já caminhavam no alcatrão confrontados com o que era um caos terrível. Incêndios, gente morta, tudo completamente destruído por todo o lado.

  "Que raio se passou aqui? Era suposto virmos salvar um bando de novatos que tinham feito asneira e comprometido uma missão para bebés! Que vem a ser isto afinal? Esta gente morta que se ergue de novo, agora isto, tudo virado do avesso? Vamos é embora daqui, porque digo-vos já que isto é muito maior do que nós." - disse ela.

  "Acho que devíamos investigar! Sair daqui assim e deixar tudo para trás como se nada fosse? Não consigo...não posso! - disse o dono da shotgun.
  "Eu concordo com ela! Se aqui ficarmos, em pouco tempo seremos mais três carcaças ambulantes dessas que nos perseguem. Ninguém vai querer saber de nós..."
  "Cala-te...eles vão vir... eu sei que..." - foi interrompido por um número indeterminado de gemidos distorcidos.
Olharam em redor e estavam completamente cercado de zombies sedentos. Por muito lentos e burros que fossem eram demasiados para que eles pudessem furar fosse que parte fosse daquele cerco. A única saída que tinham foi vista por ela que os avisou de imediato. Alguns metros atrás deles uma porta semiaberta apresentava a única fuga possível para o interior de um edifício. Por muito que houvessem mais daquelas coisas lá dentro, as hipóteses eram muito melhores. Passos lentos e cautelosos passaram a uma passada acelerada e terminaram numa corrida pela vida quando as criaturas investiram. Muitos se tentaram interpor no caminho sem sucesso, mas quando Rui, já sem munição, tentava quebrar a corrente que bloqueava a porta por dentro, também uma das pistolas de Ângela secou.

  "É melhor que te despaches piço! Não aguentamos muito mais! É o último carregador dela e eu devo ter mais uma meia dúzia de balas."
  " Tou a fazer o melhor que posso! - ergueu-se e pontapeou a porta duas vezes sem efeito - Esta merda é que nem vacila. Sem as minhas ferramentas vai ser complicado."
  "Merda! É que nem sequer tenho tempo de me virar pa lhe espetar um balázio."
  "Cuidado! - um tiro para a área que ele deveria cobrir - Concentra-te." - gritou ela.
  "Obrigado! Rui...rápido...muito rápido!"

A munição da sniper terminou e a da pistola também. Começaram os três aos pontapés à porta mas a corrente era demasiado grossa e resistente e teimava em não ceder. Os monstros estavam já demasiado próximos e o desespero apoderara-se deles ao verem a morte chegar. Ainda sacaram das facas para lutarem até às últimas forças, até que de repente uma saraivada de balas chegou do céu negro. Quatro tipos de negro e de capacete caíram à frente deles de para-quedas e, armados até aos dentes, começaram a despachar a manifestação zombie com uma rapidez assombrosa. Foi uma questão de segundos até se estabelecer um silêncio total após a queda da última criatura. Soltaram-se dos para-quedas e retiraram os capacetes antes de se voltarem para os três que haviam salvo.

  "Quem são estes gajos?" - perguntou ela.
  "São os nossos manos...graças a deus!" - responderam os dois em uníssono.

Pedro, o mais baixo, com a sua Colt numa mão e caçadeira de canos serrados na outra, Ricardo, o seu irmão, o mais alto do grupo com duas Uzis, Miguel, irmão de Rui, o mais ponderado e penteadinho, com a sua M16 e Bruno, o mais entroncado, com a sua metralhadora peso pesado, M60, tinham chegado para se juntar à festa.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Death by my Fingertips: Cap. II - Sorriso de morte

  Estou novamente no meu covil, enrolado como um feto no ventre materno e rindo da emoção da noite anterior. Olho a água ensanguentada que resta do meu banho e não contenho o suspiro de prazer. Levanto-me vagarosamente e espreguiço-me enquanto penso em novo deleite para o serão que me aguarda. O meu corpo anseia por mais, muito mais. Todo aquele sofrimento, aquela dor, aquele olhar de agonia que trespassava o meu, o vermelho vivo e doce que me banhava as mãos, desejo tudo de novo mas ainda mais intensamente. Tenho consciência dos erros cometidos e do final horrendo e precoce que me aguarda, mas essa visão apenas consegue aumentar o meu desejo, a minha sede. Ela simplesmente me deixa ansioso pela sua chegada por forma a sentir todo o seu esplendor, toda a dor suprema, proporcionada num fim pelo qual dei tudo e trabalhei arduamente. Saio para o meio do nevoeiro de fim de tarde e percorro vários metros acompanhado pelo som da minha gargalhada sonora, cuja ainda ecoa por entre as paredes do meu antro.

Entro no terceiro café consecutivo sem consumir seja o que for, embora no primeiro estivesse um grupo de três raparigas que guinchariam que nem porcas quando as começasse a mutilar. Sorri discretamente na direcção delas e uma, loira e de olho azul retribuiu-me o gesto. Embora ainda esteja excitado de pensar naqueles olhos fixados em mim, não me sentia com vontade de iniciar para já a minha prática em grupos. Horas passaram e já vejo as pessoas juntarem-se para jantar, no entanto, eu continuo no mesmo café, no mesmo banco, observando tudo e todos. A chuva começa a cair e vejo uma figura aproximar-se, a correr e com uma revista a tapar-lhe a cabeça. Mal entra, joga a revista no lixo e torce os cabelos loiros para expulsar a água. Que movimento tão suave! Porquê? Porquê puta? Porque têm de ser todas tão delicadas? Recupero a visão após o ataque de fúria que me fez tapar a face com ambas as mãos e ela está a olhar para mim. Naquele momento soube que era ela a mulher escolhida, a mulher que me olhara nos olhos pela segunda vez naquele dia com aquele brilho azul. Ela pede um expresso longo, bem quente e com um pouco de natas. Reparo que é canhota quando a vejo mexer o café com a direita e atrapalhar-se, trocando para a esquerda. Aproximo-me e, delicadamente, peço para me sentar. Envergonhada diz-me que sim. Toda aquela beleza me fazia refém, mas não consigo evitar o calor infernal que sinto, tal é a raiva que sinto perante tal pureza e inocência. Acabo de me sentar e ela entorna um pouco do café sobre a mão. O pequeno grito que deu foi tão bom. O potencial que teria para me satisfazer estava mais do que comprovado. Pego-lhe na mão e limpo-a olhando-a nos olhos. Levanto-me e puxo-a até ao lavatório onde lhe coloco a mão debaixo da água corrente. O obrigado que me lançou quase derrubou os frágeis alicerces da minha contenção. De regresso ao nosso lugar, aproveito o momento e sento-me no mesmo banco comprido que ela. Há silêncio. Deixo que se prolongue durante alguns segundos para que o meu olhar seguro e quente faça efeito. Em seguida quebro o silêncio com um discurso elegante, numa linguagem floreada e figurativa, elevando para outro nível o meu típico comportamento enganoso e manipulador. Convenço-a a fazer a minha vontade e cativo-a cada vez mais no sentido de ser selvagem. Faço-a crer que tudo o que faremos será com benefícios mútuos e que, talvez, até seja ela a mais beneficiada. Mentira. Eu como ser superior serei o único beneficiado e tudo me será permitido. Completamente iludida beija-me e eu retribuo com um ódio de morte disfarçado como o amor de uma vida. Saímos os dois para o frio e quase sinto a água da chuva evaporar ao tocar a minha pele que ferve de excitação. Ela manda parar um táxi e ordena o condutor na direcção de um qualquer hotel que desconhecia. Isso não fazia parte dos meus planos e portanto, não iria acontecer. Sem que o taxista se aperceba, aplico um golpe na nuca da minha companhia pondo-a inconsciente e recosto-a no banco como se estivesse a dormir. Aproveito o momento em que estamos a atravessar uma rua deserta e peço-lhe que imobilize a viatura para que eu possa aliviar uma bexiga à beira do colapso. Simulo a intenção de abrir a porta e como um relâmpago, com uma lima enorme tirada da mala da loira, ataco o tipo, furando-lhe a garganta. Repito o movimento várias vezes até que pare de se mexer e deleito-me com o espalhafate, sem retirar a arma do pescoço da vítima. Não paro de rir desde que o tiro do carro até que fecho a bagageira com o cadáver no seu interior. Apodero-me do lugar do condutor e arranco na direcção que realmente quero.

Pouco tempo passado e ela já recuperava. Observo todo o seu estado de confusão pelo espelho enquanto nos aproximo cada vez mais do destino. Atordoada pergunta-me o que se passou, o que foi feito do taxista, o que faço eu ao volante, onde estamos. Estúpida de merda! Como quer que lhe responda se continua com perguntas, umas atrás das outras? Se ao menos a beleza correspondesse ao grau de inteligência, seria quase tão brilhante como eu. Mando-a calar com um berro e digo-lhe que em breve lhe contarei a história do Sr. Condutor, mas que agora estamos a chegar a um lugar bem melhor que a trampa de hotel fino que ela escolhera sem me consultar. Ela olha assustada para mim e repara no sangue que me mancha. Em pânico lança-se ao meu pescoço, apertando-o no preciso momento em que paro o carro. A dor que me estava a infligir e o medo estampado na sua expressão eram uma lufada de ar fresco. O jogo de prazer começou.

Mordo-lhe uma das mãos, enterrando bem os dentes na carne e ela larga-me. Espeto-lhe com a cabeça contra o volante, activando a buzina um par de vezes e saio do carro quando ela já quase não se mexe de tão atordoada. Tiro-a para fora, coloco-a estilo saco de batatas e dirijo-me para o meu barracão de instrumentos, improvisado no que restava de uma casa ardida há muito e bem longe da humanidade distorcida das cidades. A solidão é a única coisa que odeio nestas distâncias e que quase me enlouquece, mas até isso já estou a resolver para que o meu mundo seja perfeito. Já no interior prendo-lhe os pulsos e os tornozelos com os grilhões que tenho numa das paredes. Ela esperneia, chora, grita, implora. Eu sorrio, gozo, chicoteio-a, excito-me. Rasgo-lhe as roupas à bruta e exponho totalmente aquele corpo divinal. Se tivesse capacidade de algum dia sentir culpa, talvez aquela fosse a situação de que me iria recordar por ter estragado tal obra de arte. Abocanho-lhe as mamas e começo a chuchar e a morder. Quando o líquido vermelho dos deuses começa a tocar os meus lábios, a minha língua percorre os mamilos, não desperdiçando uma única gota. Ela chora compulsivamente e guincha com dor e é ai que a penetro. Obrigo-a a ser ela a movimentar-se e quase lhe arranco a pele das costas de tal força que aplico na ponta dos meus dedos. A uma cabra tão boa não possuo, fodo. Começo a aplicar uma força tal e a dar tamanhos esticões, que tanto pulsos como tornozelos se mostram negros e prestes a partir. Não quero perder a oportunidade de ouvir um uivo daquela boquinha e prendo-a pela cintura jogando todo o meu peso para trás. O ruído dos ossos a partir e o som agonizante libertado por ela deixam-me louco e começo a tremer como da primeira vez. A minha sede de sangue triplica, acompanhando a minha necessidade de provocar sofrimento. Tenho fome. Pego numa espécie de bisturi e começo a abri-la à retaguarda ligeiramente abaixo das costelas. Misericórdia. É o que me quer pedir mas a voz perde-se-lhe no meio do terror. Os meus ouvidos quase rebentam, não só do êxtase, mas também da intensidade vocal. O sangue que bolsa por cima das minhas mãos para fora do corpo é uma visão incrível. Com muito cuidado separo a pele com os dedos da esquerda e com a direita procuro o que pretendo. Não é difícil e rapidamente o tenho cá fora. Um rim novinho e fresco, o qual devoro com enorme prazer, mas não sem antes lho mostrar. Os olhinhos dela fixos em mim, ausentes de tudo à excepção de sofrimento e desespero, puseram-me à beira da explosão. Que assombro de prazer. Que sensação tão perfeita. Que tesão. Não posso perder o momento. Aproximo-me dela e dou-lhe dois ligeiros golpes desde os cantos da boca até às orelhas dos respectivos lados e aprecio pela ultima vez e bem de perto aquele azul. Beijo-lhe a testa como sinal de respeito a alguém que está prestes a partir e começo a puxar os grilhões de forma a que fique suspensa no tecto mesmo por cima de mim. Os traçinhos vermelhos que tinha em ambos os lados da face, pareciam quase feitos de maquilhagem, de tão finos e perfeitos que eram. Vou buscar um maçarico e começo a queimar-lhe o tronco. Ela torce-se e tenta não gritar, mas todo o esforço é em vão e o grito surge em simultâneo com o cheiro doce da carne assada. Nesse preciso momento em que a boca se lhe abre, a carne rasga até às orelhas pelo trilho dos golpes. Abre-se um belo sorriso de palhaço à minha frente e ela desmaia com a dor. Cabra de merda! Também tu a deixares-me a meio? Começo a queimá-la entre as virilhas e ela acorda de imediato. Largo então o utensílio que tenho em mãos e vou buscar o bisturi novamente. Solto os grilhões e ela cai desamparada a meus pés. Começo a dar-lhe no rabo à besta e a repuxar-lhe a pela queimada. Apesar da dor excruciante, ela não consegue gritar, mas sinto-lhe os músculos a contrairem-se em espasmos descontrolados. Começo a vir-me dentro dela e nesse momento dou-lhe um corte por baixo do queixo e puxo-lhe a língua para baixo. Fazia uma gravata bem bonita no meio de uma corrente líquida e púrpura. Já satisfeito pontapeei-a e ali a deixei já quase sem vida. Não duraria muito mais tempo com o sangue que perdera e que estava ainda a perder.



 A cheirar a morte e a queimado, volto a entrar no carro. Ia aproveitar o que restava da noite para me ver livre da viatura e voltar a casa para meditar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sem escape Cap. IV - A primeira vez que morri

  Uma dor de cabeça terrível acompanhou o meu despertar. Lembrava-me de ver a porta a voar na minha direcção e nada mais. Não fazia ideia se tinha ou não sido atingido pois, para além da enxaqueca, apenas sentia uma ligeira impressão nos pulsos e nos tornozelos. Abri os olhos a medo, mas não vi nada. Estava envolto em escuridão e comecei a sentir-me a flutuar. O meu corpo encostou-se a algo que, como tudo o resto, não conseguia ver. Senti braços e pernas a abrirem sem a minha ordem, como se tivesse sido pregado a algo e soube de imediato que estava pendurado, pois tinha de fazer força para que a cabeça não me pendesse. Comecei a debater-me. Esperneava e contorcia-me tentando quebrar o que quer que fosse que me estivesse a prender. Gritava e chorava, perdendo completamente o controlo sobre as minhas emoções. Compreendia cada vez menos o que se estava a passar, ou melhor, tinha cada vez mais a noção da minha ignorância e consequente impotência. Os meus movimentos para me soltar eram totalmente infrutíferos pois, para além de limitados, o aperto aumentava a cada segundo que passava. Apesar disto e de não saber para onde cairia no caso de me soltar, não desisti e forcei o máximo que pude. Prendi a respiração e apliquei toda a minha força, ignorando toda e qualquer dor que advinha do processo. Sentia as veias pulsarem por todo o meu corpo, as gotas de suor a nascerem de todos os meus poros. Repeti o processo até à exaustão e a cabeça pendeu-me. Certamente teria os pulsos e tornozelos feridos, pois sentia algo escorrer até aos dedos e no meio do total silêncio, o som do gotejar. Passou tanto tempo que o cansaço e a dor, juntamente com a perda de sangue, me começavam a retirar a consciência. Era demolidor o esforço para aguentar o peso da cabeça e das pálpebras. Lancei um par de vezes a cabeça para trás para que a dor da pancada me ajudasse a resistir. Tinha que fazer tudo para me manter consciente. Não podia ceder. Não pod...i..a...

Aaarrrgggghhhh...uma dor excruciante fez-me voltar a mim. Sentia a carne a rasgar no meu abdómen e um ar gélido percorrer-me as vísceras. Era de tal forma insuportável que me senti a desfalecer novamente. O meu pensamento toldava para além de qualquer crença quando um puxão no pescoço me colou a cabeça à estrutura que tinha à retaguarda. Sem perceber como, algo me impedia de desmaiar novamente, obrigando-me a suportar toda aquela dor indefinidamente. Tentava dar um ritmo à minha respiração que me permitisse aguentar um pouco melhor a tortura, se é que isso fosse possível, quando um novo golpe, ainda mais violento que o primeiro, me tomou o peito de assalto. Gritei aos soluços ao mesmo tempo que voltei a chorar de desespero e agonia. A vontade de vomitar surgiu, mas depressa se desvaneceu perante a angústia proporcionada por novo corte, este mais lento e profundo na zona da coxa. Ainda antes deste terminar, surgiu outro, e outro, e outro. Não havia zona do corpo intacta e eu já não tinha voz para gritar, limitando-me a chorar compulsivamente. Sentia um intenso cheiro adocicado proveniente de sangue e o gotejar inicial assemelhava-se agora a uma torneira corrente. O meu pensamento divagava entre duas coisas apenas, sem estabelecer qualquer ordem, nexo ou objectividade e essas coisas eram simplesmente, dor e morte. Sem razão, a dor começou a ser acompanhada de um ardor terrível e o meu corpo reagiu com espasmos violentíssimos. Gravemente ferido, os movimentos bruscos e involuntários só contribuíam para aumentar ainda mais o meu sofrimento. Desde o começo que tinha a sensação de estar a evoluir progressivamente na escala da loucura, mas agora, que começara a rir à gargalhada perante tal castigo, sem no entanto expulsar qualquer som da garganta, tinha a certeza absoluta.

Senti algo extraordinariamente forte que me fez abrir os olhos há muito cerrados e vi-me no quarto do Rafael. A escuridão havia desaparecido e não tinha quaisquer ferimentos, mas as dores permaneciam. A minha mente contorcia-se em tormento, mas o corpo estava renovado. Comecei a ver o quarto alterar-se lentamente e a voltar ao caos de quando entrei pela janela. As paredes pareciam escamar enquanto voltavam ao tom amarelado. O meu instinto levou-me a virar as costas a este acontecimento e a olhar o corredor. Os ferimentos que não paravam de me relembrar da sua existência, agora somente psicológica, deram-me uma tontura momentânea, o que quase me derrubou, mas quando realmente vislumbrei todo aquele comprimento e aquele tecto, isso sim me faria tombar, não tivesse eu aproveitado o amparo da parede mais próxima. Não queria acreditar no que via. As dúvidas face à minha sanidade mental aumentavam a cada segundo e aquela segunda visão de morte, completamente diferente da primeira, só piorava a situação. Esfreguei os olhos e aproximei-me para ver melhor. Novamente a estúpida atitude de confirmar aquilo que sabemos ser certo. Aquilo não era possível. Não podia ser. Quis vomitar mas não consegui. Estrebuchei e a boca nem se me abriu. Aquela coisa que se assemelhava ao meu corpo não respondia a ordens nenhumas a não ser para se deslocar de um lado para o outro e a minha mente contorcia-se cada vez mais sem a capacidade de se exprimir e libertar. Aquilo que se deslocava pelo corredor não era eu, ou melhor, não era eu fisicamente. Enraivecido comecei a bater em mim próprio mas não sentia nada. Corri feito louco jogando-me contra as paredes, por vezes embatendo violentamente de cabeça, mas o resultado era nulo. Não sentia nem a mais pequena picada até que se deu uma explosão no meu cérebro e me estatelei no soalho. Fiquei mesmo por baixo da criatura pregada ao tecto. Criatura essa que era eu. Via-me a mim próprio no lugar que pertencera à minha esposa, também eu gravemente ferido e pintando o chão de vermelho...pintando-me a mim de vermelho. Tremi de medo, de raiva, de frustração. Olhei novamente e em simultâneo com a dor que aumentava no meu âmago, via novos golpes abrirem, pedaços da minha carne caírem-me em cima e o cheiro da camada gorda da pele, cada vez mais exposta. Mordi os lábios até sangrarem e senti uma ínfima parte da minha alma retornar ao verdadeiro eu. Sabendo o que fazer ergui-me de um só golpe e voltei ao quarto. Peguei num pedaço de vidro que mais parecia uma lâmina e preparei-me para aquela espécie de suicídio. Sabia que não iria sentir fosse o que fosse, mas a falta de coragem não deixou de se manifestar. Prendi a respiração e apliquei o primeiro golpe, deixando um risco púrpura sobre os peitorais. O segundo, lento e profundo sobre o abdómen, abriu uma cavidade que deixou um pouco do intestino de fora e me fez desviar o olhar. Senti algo a querer jorrar do interior do meu estômago mas voltei a não conseguir expelir. De olhos fechados, sentia a agonia dos constantes golpes no meu corpo legítimo e a dificuldade cada vez maior em lidar com o sofrimento. Soltei então o que seria o derradeiro golpe, de bico, em direcção ao pescoço, mas este não chegou ao destino. Uma força inexplicável bloqueou-me o movimento a milímetros da fatalidade. Dei tudo o que tinha e resisti, mas por pouco tempo. As minhas mãos não avançaram nem recuaram durante um par de segundos mas as minhas forças eram uma miragem. O meu psicológico estava de rastos devido à tortura e, mesmo num corpo sem chagas, isso reflectia-se, sendo o objecto arrancado com facilidade das minhas mãos ensanguentadas. Tinha que fazer algo rapidamente antes que atingisse o colapso e ficasse para sempre preso naquele invólucro. Corri em todas as direcções vezes sem conta, mas era como se uma barreira invisível me confinasse ao espaço do corredor e do quarto. Sentia a minha tensão aumentar e ficava cada vez mais enervado e ofegante. Precisava de deitar tudo cá para fora sob a pena de rebentar. Precisava de chorar, de gritar, de me exprimir fosse de que forma fosse. Corri de volta ao quarto e peguei em novo pedaço de vidro para tentar a mesma manobra, mas fui novamente impedido, no entanto, desta vez tinha um truque na manga. Mal senti o puxão, deixei-me ir e cair naquele sentido. Foi tão rápido que só reparei que o cortante me havia trespassado a garganta, quando levei a mão à nuca e senti o seu bico. Os meus olhos fecharam por instantes e quando abriram, a escuridão tinha regressado, assim como o todo da minha alma ao local de origem. O ar escapou-se-me dos pulmões quando voltei a sentir na sua totalidade, todos os buracos e falhas que tinha pelo corpo, mas mal voltei a inspirar, notei que a minha voz estava de volta e gritei. Gritei de tal forma que todos os mártires que existiram até então, se reviraram nas suas campas. Foi então que me pendeu um braço, seguido de uma perna. Fiquei surpreendido de tal forma que nem pensei se seria bom ou mau sinal. Soltou-se-me o outro braço e aí sim comecei a dar voltas à cabeça sobre onde iria parar quando caísse, pois não fazia ideia de onde estava e se aquilo que vira na experiência extracorpórea era ou não real. Quando finalmente comecei a cair, não houve tempo para pensar, pois os sentidos começaram a fugir-me a uma velocidade assustadora. A única coisa que recordo é o formigueiro no estômago.

Comecei a acordar e senti luzes fortes ferirem-me a vista ainda sensível de tanto tempo de escuridão. Quando abri finalmente os olhos, reparei que eram apenas as luzes do meu hall de entrada. Endireitei-me assustado e ainda sentado encostei-me à parede. Olhei primeiro para mim e estava incólume. Nem uma pequena marca, nem uma pequena dor. Apenas a lesão do sobrolho se mantinha. Dirigi então o olhar a tudo em redor e ali bem a meu lado estava a minha porta da frente completamente destruída. Pensei imediatamente nas criaturas que me perseguiam e em como teria escapado ao impacto. Onde estariam eles? Haviam desaparecido sem deixar rasto e o silêncio imperava. Dei por mim, com o que começou por ser um simples soluçar, a rir à gargalhada enquanto as lágrimas me lavavam a face.