Com o pôr do sol sinto a escuridão sobrepôr-se à luz. As estrelas começam a pontuar o céu e o azul torna-se preto.
Sozinho...e assim espero ficar, sinto a sensação do nascer da lua, cheia e brilhante, apoderando-se daquele céu escurecido e iluminando o mundo apenas o suficiente para permitir aos predadores da noite, sobrenaturais e profanos, encontrarem a sua presa.
Sinto queimar. A dor aperta como o maior dos vícios. O meu corpo convulsiona. Cada osso, cada músculo preparando-se para a mudança. A agonia turva-me a visão enquanto a minha mente se contorce. Por mais que grite, ninguém quereria ou poderia ajudar.
As roupas rasgam-se e esfrangalham-se. O corpo cresce e contorce-se. Os sons são agonizantes tal como o sofrimento da mudança. Os meus olhos mudam para o dourado do Lobo, mãos e pés para grandes e capazes patas, garras dilacerantes substituem unhas e dentes crescem a ponto de esmagar ossos. Pêlo cresce como fogo selvagem, preto e lustroso, músculos ganham a força dos deuses, surge um longo e grosso focinho e uma comprida e vasta cauda.
Quando tudo termina, não me vejo a mim próprio, mas sim uma besta proveniente da fúria de um Zeus.

Então Pedro, quando é que há mais escrita?
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