segunda-feira, 21 de maio de 2012

Plenilunio

      Com o pôr do sol sinto a escuridão sobrepôr-se à luz. As estrelas começam a pontuar o céu e o azul torna-se preto.
   Sozinho...e assim espero ficar, sinto a sensação do nascer da lua, cheia e brilhante, apoderando-se daquele céu escurecido e iluminando o mundo apenas o suficiente para permitir aos predadores da noite, sobrenaturais e profanos, encontrarem a sua presa.
     Sinto queimar. A dor aperta como o maior dos vícios. O meu corpo convulsiona. Cada osso, cada músculo preparando-se para a mudança. A agonia turva-me a visão enquanto a minha mente se contorce. Por mais que grite, ninguém quereria ou poderia ajudar.
    As roupas rasgam-se e esfrangalham-se. O corpo cresce e contorce-se. Os sons são agonizantes tal como o sofrimento da mudança. Os meus olhos mudam para o dourado do Lobo, mãos e pés para grandes e capazes patas, garras dilacerantes substituem unhas e dentes crescem a ponto de esmagar ossos. Pêlo cresce como fogo selvagem, preto e lustroso, músculos ganham a força dos deuses, surge um longo e grosso focinho e uma comprida e vasta cauda.
     Quando tudo termina, não me vejo a mim próprio, mas sim uma besta proveniente da fúria de um Zeus.
   A lua é a minha amante e eu respondo ao seu chamamento com o meu melódico uivo, preparado para satisfazer a sua sede de vingança.

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