Ele olhou para baixo a partir do telhado onde se encontrava. A sua missão; matar um espião inimigo em serviço da Rainha que andava a transmitir informação sobre o exército rebelde.
A água da chuva pingava lentamente da ponta da sua seta armada. Toda a cabeça da seta havia sido mergulhada em veneno, para o caso de a vítima não morrer instantaneamente.
O seu alvo encontrava-se guardado por dois soldados fortemente armados, ambos com um machado amarrado nas costas e uma besta cada um, carregada e pronta a disparar. Ia ser fácil…demasiado fácil! Lentamente puxou a linha para trás, apontando ao pescoço do mais próximo. “Twank”! Primeiro soldado morto. “Twank”! Segundo soldado morto.
Sem perder um segundo, saltou do telhado e apressou-se por ali afora, mantendo-se silencioso a todo o momento. Abrindo a porta das traseiras do edifício, verificou rapidamente o seu interior e vislumbrou o seu alvo falando com uma jovem mulher. Apesar da sua expressão sorridente, era claro na sua linguagem corporal que estava ansiosa por sair dali para fora. Ele penetrou na divisória, trancando a porta atrás de si. As duas pessoas à conversa não deram pela sua presença. À medida que se aproximava sorrateiramente, o seu alvo virou-se completamente de costas, tal era a atenção que dedicava à figura feminina com a qual falava. Ela bocejou e quebrou o contacto visual com o alvo do assassino por um instante. Num ápice, os seus olhos azuis vaguearam pela sala e prenderam-se no assassino. Ele saltou de onde se encontrava antes que a jovem mulher pudesse reagir e cortou a garganta do homem de um só movimento rápido. Ela pulou para trás apavorada, com aquele olhar azul que lhe pedia para não ser a próxima. Rindo para si próprio, ele ajeitou o capuz. “Estou só a fazer o meu trabalho boneca.”. O seu sorriso retorcido aumentou, fazendo a bonita rapariga tremer. Retrocedeu uma gargalhada e baixou-se até ao corpo sem vida, retirando-lhe o grosso colar em ouro, agora completamente manchado de sangue. A rapariga permaneceu em silêncio, demasiado aturdida para que pudesse fazer algo.
“Adeus…”, disse ele sorrindo, para logo desaparecer no meio da noite chuvosa.
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