"Como é pessoal? Parecem assustados! Que se passa? Hahaha!" - disse Pedro, sacando algumas risadas dos que o acompanhavam.
"Tamos muito engraçados, tamos! Tava a ver que nunca mais chegavam. Devem andar a perder qualidades." - respondeu Rui num tom de voz que não era totalmente de brincadeira.
"Nada disso mano. Cuidado ai com o coração!" - mais uma onda de riso, desta vez provocada por Ricardo.
"Vá lá pessoal, vamos a atinar e..."
"Cala-te...Cof...Cof..." - o penteadinho foi interrompido por mais uma brincadeira dos colegas.
"Parece que vou ter de desatar ao estalo, senão vocês não se calam! - tentou disfarçar um sorriso - Bom, continuando, vamos lá abrir essa porta e encontrar um sítio para nos organizarmos com calma e vocês nos explicarem o que se passou e como vieram parar a tão longe do local da vossa missão, para não falar de que quero sem dúvida saber donde vêm estas coisas que acabámos de matar."
"Sim paizinho!" - gracejou novamente Pedro ao dirigir-se à porta, mas não sem antes ser atingido por uma palmada na nuca, o que no entanto, não impediu a vaga de riso, agora de todos os presentes.
"Bam", um tiro da curta caçadeira e uma porção da porta estilhaçou por completo possibilitando agora a passagem para o interior do edifício. Bruno assumiu a dianteira e guiava o grupo pelos corredores desertos e degradados, enquanto Ricardo guardava a retaguarda. As paredes resumiam-se a tons de cinzento, ora mais claros, ora mais escuros, conforme o tamanho dos inúmeros buracos que as preenchiam. Havia zonas em que até o tecto parecia estar a esfarelar ao ponto de poder ceder a qualquer momento. Era rara a porta que ainda se mantinha de pé e, como precaução, embora o silêncio fosse absoluto, certificavam-se sempre de que não havia nada nem ninguém nas divisórias por onde passavam. Não queriam ser surpreendidos. Escolheram uma divisória próxima da porta das traseiras, um ponto de fuga caso acontecesse algo, e pararam para relaxar um pouco e falar sobre a situação. O ambiente era tenso e assustador, com qualquer som a ecoar de tal forma que parecia fazer o triplo do ruído.
"Vamos então ao que interessa. - disse Filipe determinado - Mandaram-nos aos três para o meio de um qualquer bosque para salvarmos um grupo de novatos que tinham sido descobertos durante a missão que lhes tinha sido delegada e feitos prisioneiros. Quando chegámos perto do edifício marcado, que mais parecia um hospício, pelo menos visto do exterior, reparámos no que parecia ser uma multidão a rondar a zona. Do nada, quase como se nos tivessem cheirado, voltaram-se na nossa direcção e começaram a atacar-nos. Nos procedimentos de defesa constatámos que a sua constituição era de carne putrefacta, se não na totalidade, estava muito próximo disso, e que somente os que eram atingidos na cabeça permaneciam no chão. Penso que mortos não será a forma ideal de me expressar pois, na minha terra aquelas coisas são zombies e mortos já estão, mas sempre pensei que não existissem tais criaturas. Vocês sabem afinal o que se passa aqui?"
"Primeiro... - interrompeu Pedro na altura que Miguel ia começar a falar - ...convém que nos conheçamos todos, certo? Quem é a tua amiga Lipe?"
"Eu sou a Ângela e estou aqui, logo não precisas de perguntar essas coisas a terceiros. Prazer..."
"Gosto Filipe, gosto do estilo! - ela lançou-lhe um olhar fulminante - O prazer é meu Ângela. Eu sou o Pedro, este certinho é o Miguel, o batoco é o Bruno e aqui o adubado é o meu irmão Ricardo. - foram-lhe acenando com a cabeça pela ordem de apresentação, às quais ela retribuiu de forma bastante mais cordial do que a Pedro - Agora já podes falar."
"Boa Pedro, sempre a criar boas primeiras impressões. - deu mais um dos muitos toques que dava para ajeitar o penteado e recomeçou - Nós também não fazemos ideia do que se passa ou de onde estas coisas vêm. Estamos aqui simplesmente porque recebemos o pedido de auxílio do meu irmão. Nem sequer sabíamos o que estavam aqui a fazer, nem o que íamos encontrar. Vocês sabem por acaso qual era a missão dos outros?"
"Penso que eles estavam aqui para capturar informações sobre umas investigações obscuras de uns quaisquer doutores. Coisa fácil, num local quase sem segurança. Não sei muitos pormenores porque não nos foram dados, mas basicamente foi isto."
"Se era coisa fácil e sem grande importância ao ponto de enviarem novatos, então porque não vos disseram ao que vinham? Não faz sentido! Porque se preocuparia o governo com algo que não fosse importante e lucrativo? Isto há aqui muita coisa por descobrir. Acho que devíamos voltar ao tal hospício." - manifestou-se Ricardo.
"Concordo." - retorquiu Bruno.
"Todos concordam? - sinais afirmativos de todas as direcções - Boa, então, vamos a distribuir o equipamento que vos trouxemos e vocês, como já lá tiveram, lideram a matilha." - Miguel fez sinal para que se mexessem e desta vez o seu grupo ia atrás do de seu irmão.
Um barulho enorme ecoou através dos corredores e todos estacaram tentando descortinar a direcção do mesmo, o que se mostrava quase impossível. Parecia vir de um lado cujo era composto apenas por ferro e betão, mas isso não era minimamente lógico. Os seus ouvidos estavam a ser enganados pelo ribombar do som entre aquelas paredes. Começaram novamente a avançar, mas desta vez muito mais lentamente e alerta. A dada altura Bruno prendeu o ombro a Pedro com a sua mão e tocou com o cano da arma em Ricardo, fazendo-lhes sinal que aguardassem e dando um toque de cabeça na direcção da parede mesmo a seu lado. Ficaram um pouco para trás sem que os outros dessem por isso, enquanto Bruno colava o ouvido ao cimento. O baixinho deu um ligeiro assobio que captou a atenção do resto do grupo que parou em espera. Ele e o irmão aguardavam sobre tensão alguma reacção da parte do colega, cuja não demorou a chegar.
"Merda...afastem-se..." - gritou, afastando-se da parede e saltando para o lado, acompanhado pelos irmãos que reagiram prontamente.
Alguma coisa tinha irrompido pela parede, mas não era possível ver o quê. A poeira que pairava no ar bloqueava completamente a visão para além daquele ponto do corredor. Quando começou a assentar, eles não conseguiam acreditar no que viam. Para além de estarem separados do resto do grupo por um monte de destroços que bloqueava o caminho, uma figura gigantesca começava a dar os primeiros passos na sua direcção. Com aquela cabeça estranha em forma de pirâmide quase a raspar o tecto, a pele branca de morte, tapada por uma vestimenta que só talhantes ou carrascos usariam e umas mãos enormes com dedos gigantes donde se evidenciavam garras enorme que brilhavam como lâminas, era deveras imponente. Os passos da besta começaram a tornar-se mais rápidos à medida que eles recuavam e isso não agourava nada de bom. No meio da tensão, Bruno adiantou-se aos amigos e começou a disparar. Alguns tiros atingiram o corpo do bicho, o que não pareceu magoá-lo minimamente, mas a maioria ricochetearam na cabeça metálica, servindo isto apenas para o irritar e o fazer investir em corrida.
"Isso não foi uma boa jogada! Corram..corram! - Pedro começou a correr, soltando um tiro de caçadeira para trás, sabendo de antemão que seria inútil.
"Que merda é esta meu? Esta coisa é ao menos real? Porque é que não fiquei em casa, foda-se!" - dizia Ricardo, soltando também umas rajadas enquanto fugia.
A criatura gigante corria agora atrás deles, desfazendo paredes com as próprias mãos e por vezes, simplesmente com o impacto do corpo animalesco, enquanto a ponta mais alta da sua cabeça rasgava o tecto como se fosse papel. Eles aceleravam na sua frente, virando para um corredor atrás de outro, completamente ao acaso em busca de uma saída, visto não lhes ter sido possível enveredarem pelo caminho que conheciam. Procuravam uma porta para o exterior, uma janela, umas escadas para trocarem de piso. Qualquer coisa que lhes permitisse saírem da rota de colisão com o bulldozer que os perseguia impiedosamente, visto que tudo com que se depararam no percurso que pudesse ser uma saída, estava bloqueado com camadas e camadas de sólido betão, cujo não tinham tempo para destruir. O ruído provocado pela destruição que lhes mordia os calcanhares era cada vez maior e mais próximo, mais parecendo bombas, explodindo umas trás das outras.
"Já fomos! Já fomos!" - Bruno desesperou em consonância com os amigos quando viu que tinham virado para um beco sem saída.
"Não pode acabar assim! Todos..." - Pedro deu o mote e todos deram tudo o que tinham na tentativa de derrubar aquela camada de cimento que os impedia de continuar.
O perseguidor já assomara ao início do corredor e, quando uma mera dúzia de metros o separava deles, ainda a parede tinha somente uns meros arranhões.
No outro lado dos escombros os restantes membros do grupo não faziam ideia do que se passava. Começaram por ouvir uma barulheira incrível, que com o tempo foi diminuindo até desaparecer. Desde então, nem sinal dos companheiros e o silêncio era total.
"Não podemos ficar aqui mais tempo. Temos que os ir procurar. Estarmos para aqui a gritar o nome deles sem resposta e sem saber o que se passou não adianta de nada." - disse ela, que no momento parecia a única a manter o raciocínio, talvez por ser a que tinha menos ligação com os desaparecidos.
"Claro...claro! Tens toda a razão, mas daquilo que já vimos, acho que não há treino para este tipo de coisas. Acho que já nem sei se isto é real ou não...acho que já não sei como reagir." - Rui quebrou a apatia dos homens.
Não foi preciso, nem possível, mais conversa, pois a porta das traseiras colapsou de repente e os zombies começaram a invadir o corredor. Os ávidos canibais começaram a ser dizimados por um tsunami de chumbo que lhes explodia as cabeças, espalhando massa cinzenta por todo o lado. Eram tantos que tiveram de recarregar umas poucas de vezes as armas, mas chegaram a um ponto em que se encontravam totalmente coordenados e nunca havia mais do que um a necessitar recarregar. Momentos depois, com litros de sangue espalhado por todo o lado, misturado com entranhas em pinturas rupestres pelas paredes, a invasão terminou. Sem articularem palavra saíram para a rua e correram para contornar o edifício rapidamente até à porta onde tinham entrado inicialmente de forma a iniciarem as buscas pelos companheiros. Iam a meio do caminho quando uma espécie de buzina rouca se fez ouvir por todo o lado, mas nem sequer pestanejaram, continuando a correr. Preocupar-se-iam com isso mais tarde, se assim vissem ser necessário.
Encostaram-se os três à parede e só faltava olharem uns para os outros para se despedirem antes de abraçarem a morte quando o gigante parou a meio o golpe descendente das suas garras. Uma qualquer buzina fez-se ouvir e a criatura parou, virou-lhes as costas e abandonou calmamente o local. Deixaram-se cair de rabo no chão e ficaram a olhar uns para os outros completamente espantados pelo sucedido. Não faziam ideia do que se tinha passado e só podiam encolher os ombros, mas ninguém podia imaginar a felicidade que sentiam em que assim fosse. Não passaram mais de cinco segundos até desatarem os três a rir à gargalhada.
Um barulho enorme ecoou através dos corredores e todos estacaram tentando descortinar a direcção do mesmo, o que se mostrava quase impossível. Parecia vir de um lado cujo era composto apenas por ferro e betão, mas isso não era minimamente lógico. Os seus ouvidos estavam a ser enganados pelo ribombar do som entre aquelas paredes. Começaram novamente a avançar, mas desta vez muito mais lentamente e alerta. A dada altura Bruno prendeu o ombro a Pedro com a sua mão e tocou com o cano da arma em Ricardo, fazendo-lhes sinal que aguardassem e dando um toque de cabeça na direcção da parede mesmo a seu lado. Ficaram um pouco para trás sem que os outros dessem por isso, enquanto Bruno colava o ouvido ao cimento. O baixinho deu um ligeiro assobio que captou a atenção do resto do grupo que parou em espera. Ele e o irmão aguardavam sobre tensão alguma reacção da parte do colega, cuja não demorou a chegar.
"Merda...afastem-se..." - gritou, afastando-se da parede e saltando para o lado, acompanhado pelos irmãos que reagiram prontamente.
Alguma coisa tinha irrompido pela parede, mas não era possível ver o quê. A poeira que pairava no ar bloqueava completamente a visão para além daquele ponto do corredor. Quando começou a assentar, eles não conseguiam acreditar no que viam. Para além de estarem separados do resto do grupo por um monte de destroços que bloqueava o caminho, uma figura gigantesca começava a dar os primeiros passos na sua direcção. Com aquela cabeça estranha em forma de pirâmide quase a raspar o tecto, a pele branca de morte, tapada por uma vestimenta que só talhantes ou carrascos usariam e umas mãos enormes com dedos gigantes donde se evidenciavam garras enorme que brilhavam como lâminas, era deveras imponente. Os passos da besta começaram a tornar-se mais rápidos à medida que eles recuavam e isso não agourava nada de bom. No meio da tensão, Bruno adiantou-se aos amigos e começou a disparar. Alguns tiros atingiram o corpo do bicho, o que não pareceu magoá-lo minimamente, mas a maioria ricochetearam na cabeça metálica, servindo isto apenas para o irritar e o fazer investir em corrida.
"Isso não foi uma boa jogada! Corram..corram! - Pedro começou a correr, soltando um tiro de caçadeira para trás, sabendo de antemão que seria inútil.
"Que merda é esta meu? Esta coisa é ao menos real? Porque é que não fiquei em casa, foda-se!" - dizia Ricardo, soltando também umas rajadas enquanto fugia.
A criatura gigante corria agora atrás deles, desfazendo paredes com as próprias mãos e por vezes, simplesmente com o impacto do corpo animalesco, enquanto a ponta mais alta da sua cabeça rasgava o tecto como se fosse papel. Eles aceleravam na sua frente, virando para um corredor atrás de outro, completamente ao acaso em busca de uma saída, visto não lhes ter sido possível enveredarem pelo caminho que conheciam. Procuravam uma porta para o exterior, uma janela, umas escadas para trocarem de piso. Qualquer coisa que lhes permitisse saírem da rota de colisão com o bulldozer que os perseguia impiedosamente, visto que tudo com que se depararam no percurso que pudesse ser uma saída, estava bloqueado com camadas e camadas de sólido betão, cujo não tinham tempo para destruir. O ruído provocado pela destruição que lhes mordia os calcanhares era cada vez maior e mais próximo, mais parecendo bombas, explodindo umas trás das outras.
"Já fomos! Já fomos!" - Bruno desesperou em consonância com os amigos quando viu que tinham virado para um beco sem saída.
"Não pode acabar assim! Todos..." - Pedro deu o mote e todos deram tudo o que tinham na tentativa de derrubar aquela camada de cimento que os impedia de continuar.
O perseguidor já assomara ao início do corredor e, quando uma mera dúzia de metros o separava deles, ainda a parede tinha somente uns meros arranhões.
No outro lado dos escombros os restantes membros do grupo não faziam ideia do que se passava. Começaram por ouvir uma barulheira incrível, que com o tempo foi diminuindo até desaparecer. Desde então, nem sinal dos companheiros e o silêncio era total.
"Não podemos ficar aqui mais tempo. Temos que os ir procurar. Estarmos para aqui a gritar o nome deles sem resposta e sem saber o que se passou não adianta de nada." - disse ela, que no momento parecia a única a manter o raciocínio, talvez por ser a que tinha menos ligação com os desaparecidos.
"Claro...claro! Tens toda a razão, mas daquilo que já vimos, acho que não há treino para este tipo de coisas. Acho que já nem sei se isto é real ou não...acho que já não sei como reagir." - Rui quebrou a apatia dos homens.
Não foi preciso, nem possível, mais conversa, pois a porta das traseiras colapsou de repente e os zombies começaram a invadir o corredor. Os ávidos canibais começaram a ser dizimados por um tsunami de chumbo que lhes explodia as cabeças, espalhando massa cinzenta por todo o lado. Eram tantos que tiveram de recarregar umas poucas de vezes as armas, mas chegaram a um ponto em que se encontravam totalmente coordenados e nunca havia mais do que um a necessitar recarregar. Momentos depois, com litros de sangue espalhado por todo o lado, misturado com entranhas em pinturas rupestres pelas paredes, a invasão terminou. Sem articularem palavra saíram para a rua e correram para contornar o edifício rapidamente até à porta onde tinham entrado inicialmente de forma a iniciarem as buscas pelos companheiros. Iam a meio do caminho quando uma espécie de buzina rouca se fez ouvir por todo o lado, mas nem sequer pestanejaram, continuando a correr. Preocupar-se-iam com isso mais tarde, se assim vissem ser necessário.
Encostaram-se os três à parede e só faltava olharem uns para os outros para se despedirem antes de abraçarem a morte quando o gigante parou a meio o golpe descendente das suas garras. Uma qualquer buzina fez-se ouvir e a criatura parou, virou-lhes as costas e abandonou calmamente o local. Deixaram-se cair de rabo no chão e ficaram a olhar uns para os outros completamente espantados pelo sucedido. Não faziam ideia do que se tinha passado e só podiam encolher os ombros, mas ninguém podia imaginar a felicidade que sentiam em que assim fosse. Não passaram mais de cinco segundos até desatarem os três a rir à gargalhada.
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