"Corram! Corram".
Já haviam passado horas e horas em fuga, a munição aproximava-se perigosamente do fim, os poucos mantimentos que não tinham perdido na correria já se haviam esgotado e já só lhes sobrava meio cantil de água. Filipe com a sua Sniper não conseguia ser muito eficaz face à proximidade dos intermináveis mortos-vivos que surgiam de todos os lados. A luz da lua mal conseguia penetrar através das copas das inúmeras e volumosas árvores que compunham aquele bosque e isso também não ajudava em nada. Rui Pedro surgiu na sua frente e começou a despachar aos três de cada vez com a sua caçadeira de combate, enquanto Ângela cobria as laterais disparando alternadamente com as suas duas pistolas. Tinham de ser certeiros, pois só os tiros na cabeça os impediam de se erguer novamente.
"Já vejo a cidade ao fundo! Temos de nos pirar daqui rápido e pedir ajuda porque o nosso tempo está mesmo a acabar!" - gritou Rui aos colegas.
"Então antes que a minha menina cante...corram o mais depressa que puderem." - Filipe disse isto enquanto tirava a cavilha de uma granada e a lançava no meio da multidão macabra.
A explosão foi imponente, barulhenta e destrutiva. Enquanto corriam na direcção da luz das ruas, pedaços de braços, pernas e cabeças caíam a seu lado, projectados a longa distância pela intensidade do cantar da menina. Depararam-se com uma ribanceira e os homens seguiram de imediato a mulher que nem sequer hesitou em saltar e rebolar por ali abaixo.
Lá bem no alto, quatro indivíduos saltavam de um avião e apressavam-se a tomar uma posição de seta por forma a acelerarem a descida até ao solo. Encontravam-se completamente vestidos de preto, capacetes que cobriam completamente cabeça e face, possuindo todos uma viseira reflectora cor de laranja. Todos eles vinham extremamente bem armados. Um gesto de um deles quando já avistavam o chão bem perto e adquiriram uma formação que os colocava alinhados lado a lado, precisamente ao mesmo nível durante o voo. A cidade era cada vez maior no reflexo daquelas viseiras.
Já caminhavam no alcatrão confrontados com o que era um caos terrível. Incêndios, gente morta, tudo completamente destruído por todo o lado.
"Que raio se passou aqui? Era suposto virmos salvar um bando de novatos que tinham feito asneira e comprometido uma missão para bebés! Que vem a ser isto afinal? Esta gente morta que se ergue de novo, agora isto, tudo virado do avesso? Vamos é embora daqui, porque digo-vos já que isto é muito maior do que nós." - disse ela.
"Acho que devíamos investigar! Sair daqui assim e deixar tudo para trás como se nada fosse? Não consigo...não posso! - disse o dono da shotgun.
"Eu concordo com ela! Se aqui ficarmos, em pouco tempo seremos mais três carcaças ambulantes dessas que nos perseguem. Ninguém vai querer saber de nós..."
"Cala-te...eles vão vir... eu sei que..." - foi interrompido por um número indeterminado de gemidos distorcidos.
Olharam em redor e estavam completamente cercado de zombies sedentos. Por muito lentos e burros que fossem eram demasiados para que eles pudessem furar fosse que parte fosse daquele cerco. A única saída que tinham foi vista por ela que os avisou de imediato. Alguns metros atrás deles uma porta semiaberta apresentava a única fuga possível para o interior de um edifício. Por muito que houvessem mais daquelas coisas lá dentro, as hipóteses eram muito melhores. Passos lentos e cautelosos passaram a uma passada acelerada e terminaram numa corrida pela vida quando as criaturas investiram. Muitos se tentaram interpor no caminho sem sucesso, mas quando Rui, já sem munição, tentava quebrar a corrente que bloqueava a porta por dentro, também uma das pistolas de Ângela secou.
"É melhor que te despaches piço! Não aguentamos muito mais! É o último carregador dela e eu devo ter mais uma meia dúzia de balas."
" Tou a fazer o melhor que posso! - ergueu-se e pontapeou a porta duas vezes sem efeito - Esta merda é que nem vacila. Sem as minhas ferramentas vai ser complicado."
"Merda! É que nem sequer tenho tempo de me virar pa lhe espetar um balázio."
"Cuidado! - um tiro para a área que ele deveria cobrir - Concentra-te." - gritou ela.
"Obrigado! Rui...rápido...muito rápido!"
A munição da sniper terminou e a da pistola também. Começaram os três aos pontapés à porta mas a corrente era demasiado grossa e resistente e teimava em não ceder. Os monstros estavam já demasiado próximos e o desespero apoderara-se deles ao verem a morte chegar. Ainda sacaram das facas para lutarem até às últimas forças, até que de repente uma saraivada de balas chegou do céu negro. Quatro tipos de negro e de capacete caíram à frente deles de para-quedas e, armados até aos dentes, começaram a despachar a manifestação zombie com uma rapidez assombrosa. Foi uma questão de segundos até se estabelecer um silêncio total após a queda da última criatura. Soltaram-se dos para-quedas e retiraram os capacetes antes de se voltarem para os três que haviam salvo.
"Quem são estes gajos?" - perguntou ela.
"São os nossos manos...graças a deus!" - responderam os dois em uníssono.
Pedro, o mais baixo, com a sua Colt numa mão e caçadeira de canos serrados na outra, Ricardo, o seu irmão, o mais alto do grupo com duas Uzis, Miguel, irmão de Rui, o mais ponderado e penteadinho, com a sua M16 e Bruno, o mais entroncado, com a sua metralhadora peso pesado, M60, tinham chegado para se juntar à festa.

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