"Onde está o meu irmão? Ricardo! Ricardoooo! Fod...e! Fod...e! Onde é que ele está?"
"Calma! Não pode ter ido longe. - retorquiu Bruno.
"Tenho calma?! Eu estou calmíssimo, afinal de contas, o meu irmão só desapareceu sem razão, em escassos segundos e num sítio infestado de merdas que eu pensei que só existiam nos jogos que jogava em puto. Óbvio que me encontro calmo e despreocupado! - disse, elevando a voz sem se aperceber e andando a passos largos na direcção da porta da igreja. - Acho que ouvi qualquer coisa lá dentro!" - Bruno seguia-o de perto.
Estavam prestes a tentar abrir a porta do local sagrado, quando uma meia dúzia de novas aberrações surgiu e correu na sua direcção. Tinham todo o corpo em carne viva, eram extremamente magros e apresentavam, para além dos normais membros superiores, dois braços abdominais, algo atrofiados. Independentemente da sua débil constituição, eram incrivelmente rápidos e as estruturas ósseas, semelhantes a lâminas, que lhes saíam das palmas das mãos, para além de serem do tamanho de um ante-braço, tornavam-nas absurdamente perigosas.
Com um tiro de caçadeira, Pedro desfez a cabeça do "Queimado" mais próximo, mas este não caiu, nem tão pouco diminuiu a velocidade da sua corrida, passando simplesmente a atacar de uma forma ainda mais agressiva e aleatória, devido à privação de visão. Foi obrigado a atirar-se para o chão e a rebolar para a sua esquerda e para longe. Bruno chegou-se perto e ajudou-o a erguer-se com uma mão, enquanto mantinha a sua metralhadora a disparar com a outra.
"Mas que...? Mas que porra é esta?" - perguntou o grandalhão enquanto o puxava para cima.
"Boa pergunta, mas lamento informar que a minha ignorância é idêntica à tua! Esta bicharada dum cabr...o faz de tudo um pouco! Agora até lhes rebentamos a bolha e não morrem!"
"Então despedaçamos os animais. Hun?"
"Concordo...e gosto!"
Já com alguns um pouco mal tratados pelas constantes rajadas de Bruno, os dois começaram a correr em círculos, confundindo os adversários e separando braços e pernas dos corpos disformes.
***
Filipe foi o primeiro a reagir, girando rapidamente o corpo para escapar ao salto de um dos lobos na sua direcção e, em simultâneo, aplicar-lhe um valente murro em cheio no focinho, fazendo-o ganir e estatelar-se contra um jarrão de quase um metro de altura, despedaçando-o. Ângela esquivara-se habilmente e corria escadas acima, perseguida por dois canídeos, enquanto Miguel, estendido no chão, com um animal em cima, afastando-se do fio de baba constante e evitando as tentativas de mordida, encostou o cano da sua arma ao seu agressor e lhe desfez completamente a zona abdominal, enchendo de sangue a zona torácica do seu uniforme negro e fazendo a criatura sair projectada contra um dos corrimões da escadaria, onde, depois de cair, ficou inerte. O sniper aproximou-se do lobo que o havia atacado e, antes que este se recuperasse e saísse do meio dos cacos de porcelana que o rodeavam, encostou-lhe o cano longo e frio à cabeça, enquanto lhe pisava um dos flancos e disparou. Aquela cabeça, ao ser atingida por uma bala daquela dimensão a uma distância quase inexistente, reagiu com uma espécie de explosão, não restando nada a não ser, pedaços de osso, pele, sangue e cérebro espalhados pela área em redor. Ele sacudiu ainda a bota para se ver livre de um bocado de massa cinzenta que parecia pulsar na sua biqueira.
Já no varandim do andar de cima, Ângela tentava ganhar distância em relação aos dois perseguidores. Algumas fintas de corpo, uns agachamentos para lhes escapar quando saltavam, mas no fim, pareciam estar coordenados na perfeição, pois nunca conseguia ter espaço para reagir devido à proximidade constante de pelo menos um. Foi então que realmente prestou atenção ao lustre gigante que dominava o espaço sobre a cabeça dos colegas. Completamente composto de cristal, estrutura férrea e sólida, com 1,80m de altura e 1,20m de diâmetro, proporcionava-lhe a plataforma perfeita para se ver livre dos mordedores. Correu na direcção do precipício e, com um rápido e ágil impulso com os pés no corrimão de madeira escura, saltou na direcção do trono dourado. O barulho que fez ao chocar com a estrutura, fez com que os companheiros olhassem para cima, mesmo a tempo de a verem pendurada e um dos lobos, que saltara atrás dela, ganir antes de quebrar o pescoço no violento embate que teve com o solo. Não fosse tão grande o ruído do lustre balouçante e o estalar daquela coluna ter-se-ia ouvido por todo o espaço, em todo o seu arrepiante esplendor. Ela ergueu-se, equilibrou-se e voltou a saltar para o varandim, para uma zona afastada do inimigo, onde, empunhando as suas gémeas, aguardou pela aproximação deste. Quando o achou à distância certa, disparou dois tiros, um em cada pata dianteira. A velocidade do canídeo era tal que caiu de focinho no chão, mas o seu corpo continuou a avançar de arrasto, até ser travado por uma bala, habilmente colocada no topo do seu crânio. O silêncio restabeleceu-se ao final de alguns segundos, quando o eco do último tiro se calou.
Já no varandim do andar de cima, Ângela tentava ganhar distância em relação aos dois perseguidores. Algumas fintas de corpo, uns agachamentos para lhes escapar quando saltavam, mas no fim, pareciam estar coordenados na perfeição, pois nunca conseguia ter espaço para reagir devido à proximidade constante de pelo menos um. Foi então que realmente prestou atenção ao lustre gigante que dominava o espaço sobre a cabeça dos colegas. Completamente composto de cristal, estrutura férrea e sólida, com 1,80m de altura e 1,20m de diâmetro, proporcionava-lhe a plataforma perfeita para se ver livre dos mordedores. Correu na direcção do precipício e, com um rápido e ágil impulso com os pés no corrimão de madeira escura, saltou na direcção do trono dourado. O barulho que fez ao chocar com a estrutura, fez com que os companheiros olhassem para cima, mesmo a tempo de a verem pendurada e um dos lobos, que saltara atrás dela, ganir antes de quebrar o pescoço no violento embate que teve com o solo. Não fosse tão grande o ruído do lustre balouçante e o estalar daquela coluna ter-se-ia ouvido por todo o espaço, em todo o seu arrepiante esplendor. Ela ergueu-se, equilibrou-se e voltou a saltar para o varandim, para uma zona afastada do inimigo, onde, empunhando as suas gémeas, aguardou pela aproximação deste. Quando o achou à distância certa, disparou dois tiros, um em cada pata dianteira. A velocidade do canídeo era tal que caiu de focinho no chão, mas o seu corpo continuou a avançar de arrasto, até ser travado por uma bala, habilmente colocada no topo do seu crânio. O silêncio restabeleceu-se ao final de alguns segundos, quando o eco do último tiro se calou.
***
Os "Queimados" estavam espalhados por todo o lado. Braços aqui e ali, pernas além e acolá. Os dois amigos olhavam em redor, com as suas armas ainda fumegantes, certificando-se de que não restava nenhuma daquelas coisas viva. Haviam-se apercebido durante a contenda, de que aquele tipo de bicharoco, era extremamente sensível ao desmembramento e que os tiros à cabeça não produziam grande efeito. Guardavam as armas no preciso momento em que um grito de raiva e dor se fez ouvir, vindo do interior da igreja.
"Ricardo!" - gritou Pedro, desatando a correr para a porta.
A porta era de madeira sólida e foram necessários uns três cartuchos da pequena caçadeira, para que esta se abrisse. Bruno aplicou-lhe um forte pontapé e esta escancarou-se, dando passagem a um acelerado e preocupado irmão.
"Ricardo! - olhou em volta e viu-o à sua direita, agarrado ao braço esquerdo, olhando o que parecia ser um soldado morto numa poça de sangue - "Estás ferido! Que..." - Bruno chegou perto no exacto momento em que ele soltara o irmão de um abraço e lhe agarrava cuidadosamente no braço, por forma a ver a extensão do ferimento.
"Eu estou bem maninho, calma! O mesmo não se pode dizer deste filho da pu...a! - interrompeu Ricardo - Apanhou-me à traição e puxou-me cá para dentro durante a vossa distracção com os "Rodinhas". Custou-lhe cara a gracinha. Auu..." - o irmão tocara-lhe na ferida ao de leve.
"Fico descansado por ver que estás bem, mas o golpe ainda é fundo. - ele avaliava minuciosamente o corte enquanto abria a pequena bolsa com desinfectante e material de sutura - "Vamos sentar para eu te tratar disso. Rápido e sem discussão!"
"Eu não vou ficar a ver essa mer...a! Estou ali à porta de vigia." - Bruno não suportava agulhas e afastou-se deles assim que se sentaram.
"Não é por nada, mas onde está o Rui?"
Já há vários corredores que seguia aquele vulto, mas sempre sem se conseguir aproximar o suficiente para constatar o que era, ou quem. Sabia que se estava a arriscar em demasia ao ter abandonado o grupo, mas pretendia fazer as coisas de forma que lhe fosse possível reunir-se com eles e ainda, ouvir a descompustura do irmão ao saber o que ele tinha feito. Avançava a passo de caracol devido ao compasso extremamente lento que a figura assumira desde há poucos minutos, quando todas a luzes se apagaram. A escuridão era total, visto não existirem janelas no sítio onde se encontrava e, para piorar a situação, o silêncio era também ele absoluto, o que o preocupava determinantemente, visto que, fosse o que fosse que perseguia, ter produzido um som de arrasto a cada movimento até então. Deixou-se ficar quieto e à espera por alguns minutos, mas como nada aconteceu, decidiu avançar, lenta e cautelosamente. Mal deu o primeiro passo, o som de arrasto voltou. Estava mesmo a seu lado.
A porta era de madeira sólida e foram necessários uns três cartuchos da pequena caçadeira, para que esta se abrisse. Bruno aplicou-lhe um forte pontapé e esta escancarou-se, dando passagem a um acelerado e preocupado irmão.
"Ricardo! - olhou em volta e viu-o à sua direita, agarrado ao braço esquerdo, olhando o que parecia ser um soldado morto numa poça de sangue - "Estás ferido! Que..." - Bruno chegou perto no exacto momento em que ele soltara o irmão de um abraço e lhe agarrava cuidadosamente no braço, por forma a ver a extensão do ferimento.
"Eu estou bem maninho, calma! O mesmo não se pode dizer deste filho da pu...a! - interrompeu Ricardo - Apanhou-me à traição e puxou-me cá para dentro durante a vossa distracção com os "Rodinhas". Custou-lhe cara a gracinha. Auu..." - o irmão tocara-lhe na ferida ao de leve.
"Fico descansado por ver que estás bem, mas o golpe ainda é fundo. - ele avaliava minuciosamente o corte enquanto abria a pequena bolsa com desinfectante e material de sutura - "Vamos sentar para eu te tratar disso. Rápido e sem discussão!"
"Eu não vou ficar a ver essa mer...a! Estou ali à porta de vigia." - Bruno não suportava agulhas e afastou-se deles assim que se sentaram.
***
Ela acabara de descer as escadas e se juntar a eles, quando Filipe perguntou:
"Não é por nada, mas onde está o Rui?"
Todos se sobressaltaram. Com a incursão de lobos, ninguém tinha dado por falta dele. Chamaram por ele e reviraram a totalidade daquele hall, ambos os pisos, mas sem qualquer tipo de resposta ou pista do seu paradeiro.
"Separados ou juntos, não me interessa, mas vamos procurá-lo e já!" - a voz totalmente alterada.
"Calma, calma! - interviu Ângela, colocando-lhe uma mão no peito, obrigando-o a parar - Sabemos que é o teu irmão, mas não vamos agir de cabeça quente e cair em alguma armadilha mortal, porque ai, não lhe serviremos de nada. Vamos manter-nos juntos como até aqui."
"Tens razão! Desculpem. - olhou para baixo e sacudiu a cabeça antes de voltar a olhar em frente - "Vamos começar então por este lado. Ângela, toma a frente do grupo. O teu discernimento está bem mais apto que o meu neste momento!" - ela acedeu e tomaram o caminho da direita, a partir do piso térreo.
***
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