Há muito tempo atrás havia um homem que vivia sozinho no bosque. Certa noite, por entre a escuridão imensa e uma enorme tempestade, ouviu baterem-lhe à porta. Foi abrir e deparou-se com uma senhora idosa, encapuçada e a pingar da cabeça aos pés. Deixou-a entrar para que se aquecesse junto à lareira. Deixou-a passar a noite, mas quando acordou, a mulher havia desaparecido. Tentou desvalorizar aquele facto e viver a sua vida dentro da normalidade, mas todos os dias se lembrava. Sentia falta daquela presença, não de forma apaixonada, mas com amor, um amor diferente e inexplicável.
Passada uma semana, a noite negra e tempestuosa estava de regresso e voltaram a bater-lhe à porta. Foi abrir e era a mesma mulher encapuçada, sempre cabisbaixa, sendo o queixo a única parte percetível da sua face. Deixou-a entrar novamente e passar a noite, mas desta vez decidiu ficar de olho nela.
A noite já ia longa quando ela se levantou e saiu na direção do bosque com ele no seu encalço. Seguiu-a até um cemitério bem escondido no meio da vegetação e mal entrou no espaço, viu-a ajoelhar-se frente a uma campa. Aproximou-se dela e perguntou, “Quem és tu?” , ao que ela respondeu, “Não me reconheces?”. Dito isto, desapareceu em pleno ar deixando-o sozinho. Pensativo, olhou para a campa e ajoelhou-se no sítio onde a senhora estava. Afastou a lama e as ervas daninhas e mal acabou, entrou em choque e percebeu tudo o que sentira na presença daquela mulher. A lápide tinha o nome da sua mãe.
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