Tanta dúvida, incerteza, confusão e tristeza. A forma rude como todas me corroíam por dentro. As ofensas que me teciam, cujas já havia tecido a mim próprio antes sequer de lhes ter dado voz.
Pensava, por períodos de tempo demasiado extensos, perdendo a noção de tudo em meu redor. Não ouvia, não via, não respirava, mas no fim, devolvendo a vida ao corpo, reparava que havia dado apenas um ou dois míseros passos.
Perdido, procurava desesperadamente o meu caminho, mas, o meu coração era o único soldado desse exército de busca. Todo o resto me grudava ao chão, me relembrava do passado, me chamava de fraco, afogando-me num medo atroz.
Encontrava-me encolhido a um cantinho...só meu, só para mim, como um bebé no ventre da sua mãe, mas o meu coração ainda me permitia olhar para cima, ainda me dava essa força.
Durou muito pouco tempo até que visse a luz e uma mão que, saindo de dentro dela, se estendeu na minha direcção e me arrancou da escuridão.
Enquanto recuperava a visão, tive a certeza de tudo o que sentia. Nada me consome, mas sim me alimenta, não me aniquila, dá-me força de viver, dá-me ar fresco para respirar.
Pisco então os olhos pela última vez e já vejo tudo...a luz dos teus olhos, que me salvam a cada cruzar, e o toque da tua mão, que faz do meu coração o Rei.
O desconhecido deixou de o ser, para dar lugar a uma certeza...aquilo que significas para mim.
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